A ORDEM DA ALIMENTAÇÃO ALTERA O PRODUTO

sexta-feira, fevereiro 19, 2016 8 Comments A+ a-



Uma das maiores catástrofes da nossa geração está nos indivíduos que sentem pequenos prazeres em empertigar suas cordas vocais para vociferar a expressão "somos o que comemos". Isso é mais errado que morar no décimo andar de um prédio que não tem elevador. Afinal, qualquer um que esteja em dia com as mensalidades de suas faculdades mentais sabe que não somos o que comemos. Somos a forma que comemos. Somos a maneira que nos alimentamos. Somos o jeito que apreciamos nossas refeições. 
Essa técnica divide nações entre vencedores de Oscars e o Leonardo de Caprio. É aqui que sabemos se somos descendentes de Buddy Valastro ou da Palmirinha. Quem você quer ser: Team Eddie Vedder ou Team Scott Stapp? 

Bem, a glória de uma personalidade respeitada e capaz de conquistar o mundo está nas pessoas que começam colocando o arroz antes do feijão na fila do self-service. Essa ordem dos grãos é fundamental para o sucesso do seu dia, da sua semana, da sua história no planeta. Nunca faça o contrário. Governos caem e meteoros se aproximam da Terra todas as vezes que alguém comete a audácia de colocar primeiro a concha de feijão antes da colher de arroz. 

A sociedade pode viver com esse tipo de comportamento alimentar desdoutrinador?

Até poderia. Mas as pessoas não se cansam de mostrar suas habilidades de descaracterizar o modus operandi da alimentação.
Afinal, o que dizer daqueles que comem biscoito/bolacha recheada sem antes separar o produto em duas partes e começar pelo recheio? É um crime hediondo morder aquela porção de sódio e gordura saturada como se fosse um mini sanduíche! Nunca faça isso. Não envergonhe seu país num desses G20 da vida. Mostre que está em dia com o empoderamento alimentar e sempre coma o recheio primeiro para só então, em seguida, partir para as duas partes que restam até o final da embalagem. 

Porém, temos casos ainda graves sobre tão estimado assunto.

Se hoje não temos armas legalizadas nesse país, a razão é a do próximo exemplo de insobriedade à mesa. 
Nada mais escalafobético que o sujeito que senta-se para comer uma pizza comum e, além de pedir garfo e faca, coloca catchup, mostarda, maionese e todo o tipo de molho disponível. É a mesma coisa que pedir para o Presidente da Coréia do Norte entrar num amigo secreto com Coréia do Sul e Estados Unidos participando.
Você está comendo uma pizza ou uma batata recheada? Quer decorar a massa? Vá fazer artesanato!

Espero que esse não seja um comportamento recorrente na trivialidade da sua existência. Estrelas cadentes fazem greves de realização de pedidos de crianças todas as vezes que alguém trata uma pizza desse jeito.

Antes de pedir a conta, impossível não relatar outro fracasso de caráter que acontece constantemente em hamburguerias desse planeta maroto.
Como é possível manter um relacionamento, um mínimo contato visual, uma afeição de baixa intensidade por alguém que pede voluntariamente para cortar o hambúrguer ao meio antes de comer? Expliquem essa, ateus! Qual o nível de respeito que uma pessoa pode adquirir durante a vida toda agindo dessa maneira em público? Qual o futuro desses seres que humilham a gastronomia milenar e dividem uma porção inteira de prazer em duas?
Definitivamente, um masterchef de Tv Comunitária.

Corte os pulsos mas não corte um hambúrguer.

Imagem: Internet

A CARTA SECRETA DOS DIAS COMUNS

segunda-feira, fevereiro 08, 2016 0 Comments A+ a-

No caminho até minha antiga casa, eu não olhava a vizinhança
Ignorava cenários e paisagens apenas por capricho
Não queria ter a atenção presa sem dinheiro pra pagar a fiança

O mundo gostava de me ver apenas existindo
Sem brincar com o cotidiano
E inventar novas histórias para o que já estava certo

Até que a pasmaceira cansou-se do culto ao mesmo
Quis dramaturgir toda a previsibilidade do meu personagem
Eu nem sabia decorar caminhos novos
E agora existiam até falas
Que nunca quis aprender sem improvisar

Num dos improvisos
Percebi que te acomodaram num lixo
Num depósito de ideias boas usando roupas ruins
Mas algo em você brilhava, mesmo de olhos fechados

Então resolvi te desamassar
Te desdobrar
E te ler

Foi aí que descobri que eu não tinha mais residência
Pois a cada palavra sua
Uma nova viagem começava

E o longe era sempre perto de um lugar melhor Imagem: Valentino Grassi