O ASSASSINO DO VITIMISMO

quarta-feira, agosto 19, 2015 3 Comments A+ a-



Você chegou abrindo seu coração e eu apenas desejando abrir sua carteira. Não que eu seja ganancioso e não saiba o que fazer quando me oferecem sentimento mas a verdade é que eu precisava de um empréstimo para pagar meus pecados.
O pior deles?

Sou acusado de matar o vitimismo com antibióticos.
Sou culpado por tentar aniquilar a pior sensação do mundo desde a falta de amor próprio. Sou julgado diariamente por cancelar as transferências de responsabilidade no Banco Central da vida.

Culpa é como filho: a gente tem obrigação de assumir. E se hoje serei condenado em todas as instâncias é apenas pelo seu direito de não construir sua casa na Rua da Acomodação. É para que você não estacione seu carro na vaga dos Coitados S/A. É para que você não seja o primeiro colocado no concurso público para o cargo de Profissional em Vítima das Circunstâncias.

Afinal, somos responsáveis pela dualidade sucesso/fracasso de nós mesmos. Quer reconhecimento? Vá ao IML. Pois se formos apenas ferramentas, só resolveremos problemas… enquanto os outros lucram com as soluções.

Então, se tiver alguns centavos sobrando, financie minha liberdade. Ela pode ser a sua também.

UM MILHÃO DE PARAQUEDAS

terça-feira, agosto 04, 2015 1 Comments A+ a-



Antes fosse, por um acaso calculado, que a respiração dos anjos estivesse sob sua cabeça. Quisera todos se confundirem com o peso dos dias repetidos, mas as costas parecem menos leves que a consciência.


Estava confortável adivinhando as estações, carregando o caminhão de mudanças do seu humor para um endereço novo, longe de bom dias às seis da manhã – até porque o almoço fica melhor no café da tarde e o jantar sempre pode ser servido na balada –, e próximo de outras saudações com desconhecidos que são interessantes nos 5 primeiros minutos em que somos apresentados.



Não percebi que havia perdido grande parte da madrugada descansando no outono de um abraço seu. Aquela sensação latejante de quase-frio-quase-calor era a extensão de temperatura para sua personalidade mutante, um paraíso de antíteses tão articuladas quanto suas melhores mentiras.



Na sala de espera do seu mundo a secretária pediu as contas. Eu tinha então a oportunidade de fazer o que sabia de melhor: Desorganizar. 
Mas como se desorganiza algo que já é uma bagunça default? Tudo em você estava meticulosamente fora do lugar, um caos em ordem, um apocalipse dentro do paraíso.



Ali, em cada cena desorquestrada, vislumbrei sua biblioteca de amores sendo empurrados, um a um, para um precipício de friendzone, um purgatório de semi-relações sociais onde todos apenas lhe desejavam, como um pecado pago com atenção pela indiferença. A sua. A mais implacável e fulminante de todas, talvez pelo seu alto grau de desatenção. 

E assim, igual a um milhão de paraquedas, caíram ao seu redor fascinados, como qualquer ser humano que decide te olhar desarmado.



Eu também não tinha armas. Mas, diferente deles, eu já tinha você.