FUNCIONÁRIO DO MÊS NUMA FÁBRICA DE MÁSCARAS

quarta-feira, janeiro 07, 2015 10 Comments A+ a-



Quando o tal baile começou a lotação foi completa. Todos tão reais quanto a moeda corrente no país de bandeira verde-amarela-azul-e-branca. Ser quem se quiser ser, sem a preocupação de construir uma identidade correspondente ao que se é de verdade, ficou mais fácil que falsificar uma carteirinha de estudante pra pagar meia entrada até no clube da terceira idade.

Aos que recusam enfrentar o mundo de cara limpa, a vida inventou disfarces sob medida: As tais máscaras de personalidade.
Inteligente, rico, esperta, sincera, qualquer um pode atuar sem cursos de teatro, a noite é um laboratório travestido de palco. E há aqueles que batem palmas para o seu desempenho. Há aqueles que admiram sua ‘vultuosidade natural’. Há aqueles que abrem a porta de suas casas e dos seus carros – menos do coração – pois a carência não deixa ninguém enxergar direito. É o tato antes da visão.

Mas uma hora a verdade vem e já é de manhã, já é final de mês, já é aniversário de namoro, já são bodas de um metal qualquer. E aí?
Mentira ter perna curta mas sarada, né?

Felizmente as máscaras caem quando a consciência pesa. E quase ninguém com a consciência em forma precisa desses apetrechos.
Honestamente, se você não tem nada a oferecer, a Netflix tem, e você pode ficar no conforto da sua casa sem a obrigação de colocar o que sobrou das pessoas bacanas do planeta na sua zona de conforto.

Geração saúde de caráter, quantos carboidratos têm 300 gramas de postura?

Imagem: Richard Jonkman