APRENDA A AMAR SUAS DECEPÇÕES

sexta-feira, setembro 19, 2014 16 Comments A+ a-




O sinal fechou bem na hora que você estava prestes a atropelar todos os demônios da sua vida. Atravessaram em fila, de mãos dadas, esboçando sorrisos debochados pela faixa de pedestres, protegidos pela sua direção defensiva.

Colocar o pé no acelerador seria o mesmo que colocar na jaca, ou trocar os pés pelas mãos. Convenhamos, você terá outras chances de quebrar as regras sem precisar quebrar as pernas.

Esse passado travestido de criaturas infernais pode ser o bastante para fazer o presente de alguém se transformar num futuro.
Talvez seja melhor vê-los livres do outro lado da calçada e esquecer que é domingo e sua melhor companhia ficou perdida na segunda-feira que você nunca levou a sério o suficiente.

O volume da música que vocês tinham em comum condiz com o volume do seu cabelo em dias ruins. E nunca adiantou escondê-lo na gaveta e jogar a chave fora se o móvel continua decorando o seu quarto.

Você não pulou sete ondas com medo de se afogar e hoje só existem maremotos.

Mas adiantaria culpar as escolhas tomadas entre Budweisers e Heinekens? Vale a pena praguejar até a quinta geração daqueles que usaram sua casa como hotel e não como lar?

Às vezes precisamos ter a humildade de beijar a lona de língua. Fazer o nosso papel, mesmo que seja o higiênico.

Quando se consegue entender a estrutura das decepções é possível ser um arquiteto de felicidades mais firmes. Um engenheiro de emoções arranhacéuzísticas.

Então, quando o sinal abrir, deixe o retrovisor te lembrar do que passou para poder aproveitar de verdade o que existe em outras avenidas.

Imagem: Christoph Christoph

RELAÇÕES NÃO SÃO PRISÕES

terça-feira, setembro 09, 2014 14 Comments A+ a-



De todas as experiências que pude colecionar em minha até curta estadia em território terreste, a pior delas foi a de presenciar a vontade de outra pessoa prevalecer ao próprio desejo.

Nada é mais devastador e vergonhoso do que assistir o abandono da convicção apenas pelo pedido de alguém. Soa ainda mais grave quando tal ato é concretizado sob chantagem ou qualquer outro recurso emocional covarde que imobilize temporariamente o tão aclamado livre arbítrio.

Não precisei andar muito pra enxergar a miséria que algumas relações colecionam. Sob a base da desconfiança e servindo aos exércitos que aniquilam qualquer geração amante do amor próprio, seres humanos sobrevivem escravos dentro de um relacionamento entediante, sem qualquer sinalização de melhora ainda que paliativa, perdendo em goles sedentos todo o contexto social, principalmente em termos de amizade.

Tão hediondo quanto morrer por alguém – sendo que isso acarretaria a solidão eterna do outro integrante que fica – quem abandona deliberadamente os próprios princípios para adornar a existência do companheiro ou companheira de vida cava uma sepultura tão funda para si mesmo que o corpo cairá por anos a fio até que atinja o solo.

É a renúncia sem prêmio. Morte sem glória. Sacrifício sem perdão.

Sem extremismos aparentes, é claro que precisamos ter um mínimo de equilíbrio em nossas escolhas dentro da vida a dois. Mas a partir do momento que a balança só pesa para um lado, bem-vindo à escravidão em pleno século XXI.

Vergonha da geração que se esconde nos braços do desconfortável - disponível por receio de não encontrar nada parecido no mercado de ações da conquista.

Para pessoas com esse comportamento provinciano, o cupido não vive sempre de férias. Na verdade,  ele nem chega a se formar na faculdade de formação de casais. Ou, no caso de ser teimoso e conseguir a graduação, erra de propósito.