FALE A LÍNGUA QUE VOCÊ BEIJA

segunda-feira, julho 22, 2013 12 Comments A+ a-



Odeio sopa mas essa foi a única coisa que consegui fazer com sua suposta inocência. Agora, alimento meu insaciável apetite graças às generosas porções que me rendeu.

Você sempre se vestia de segunda-feira e isso deve ter chamado a atenção do meu calendário cheio de feriados e finais de semana. Talvez as coisas boas não tenham a obrigação de acontecer em horário comercial.

A habilidade de transformar pequenos diálogos em discursos de cinema não foram suficientes para evitar que suas boas intenções ficassem de joelhos. Seu desejo de mudar a rotina era o mesmo de mudar o próprio guarda-roupa.

Um oceano inteiro cabia no seu copo d'água e pesava tão pouco.
O céu se desprendeu do teto do seu quarto e não existiam mais asas de anjo no seu número. O trem dos seus sonhos saiu da estação sem sua bagagem.

Eu dava explicações enquanto o mundo me dava os ombros. Acabei me tornando uma verdade ambulante que desfilava por sua rua de paralelepípedos.
Era a pretensão da felicidade que estava escondida atrás de alguns pontos de exclamação.

Está sempre chovendo sobre seu novo penteado e eu não consigo parar de pensar que é apenas o clima com inveja do seu eterno verão. A versão dublada do seu sexto sentido atende por minhas iniciais e engana quem te olha desatento.

Sou uma espécie de relógio barato que só quer sentir o seu pulso.

Imagem: Camila Tripoli