PRETÉRITO QUASE PERFEITO

quinta-feira, fevereiro 14, 2013 19 Comments A+ a-



A total fascinação pela surpresa me fez perder os caminhos óbvios até sua conquista. Enquanto meus dedos procuravam os botões de sua inocência, o mundo já tinha aberto seu zíper. Culpa dos atalhos que ignorei para permanecer na maratona das regras onde a linha de chegada é apenas o começo de outra corrida.

Todo o fôlego que perdia com você era encontrado boiando na saliva de algum beijo bom. Eu fingia não guardar rostos, entretando, seu nome era uma das poucas coisas que meu cérebro fazia questão de anunciar em horário nobre. Caro demais para quem tinha veneração por relacionamentos de baixo orçamento mas com enredo brilhante.

Se meu sono era te ver dormir, o mundo estava satisfeito em simplesmente te ver acordar. Você gostava de elogios que não tivessem a necessidade de se pesquisar a veracidade. Por mais que minhas atitudes lhe fizessem acreditar que vivia numa perfeita fantasia, era essa ácida sinceridade que te trazia para a realidade.

Eu vi quando a gaveta decidiu esvaziar suas melhores histórias. Passado palpável não é digno de quem sabe o que quer e em que mãos decide colocar um pouco de vida. Nossas sombras já conversavam sem que necessariamente estivéssemos presentes. Muitos classificariam esses acontecimentos como uma epifania quase completa de coincidências amorosas. Pra mim, demasiada intensidade emocional sem responsabilidade sentimental é apenas uma forma do desejo negligenciar o amor.

Assim, de nada vale um parque de diversões inteiro para quem só consegue se divertir num único brinquedo.

Imagem: Filipe Silva