AS CICATRIZES DE HONRA AO MÉRITO

terça-feira, novembro 08, 2011 13 Comments A+ a-



Cá estamos nós, debruçados sobre um conceito. Não estar acostumado a ficar sob os spotlights do Teatro Cult de Criatividade ainda faz com que minhas economias sejam destinadas à compra de óculos escuros de procedência desconfiável. O show tem que continuar, mesmo que os instrumentos estejam desafinados.

O mundo protesta sem causa na mesma intensidade que um trabalhador incansável marca os feriados no calendário. Ele quer esticar as pernas, os políticos querem esticar o mandato e nós só queremos esticar um final de semana, não?

Por que, nos dias de hoje, as pessoas ainda não podem seguir a própria intuição? Por que esse monte de formulário, essa burocracia criativa, esses eternos livros de 7 passos que só levam à lápide de nossa sepultura?

Vamos encenar uma peça cômica com os detentores do conhecimento de curto prazo, escrever um roteiro baseado em suas conquistas mais esquecidas que o título perdido pelo Brasil na Copa de 50.
Vamos alimentar o conforto, o convencimento pelo tempo de serviços prestados, vamos brindar em copos americanos de cachaça barata toda essa palhaçada argumentada em livros antigos, com estratégias ultrapassadas.

Infelizmente, vivemos numa época onde alguns profissionais conseguiram sobreviver no mercado fazendo um trabalho tão ridículo que chega a ser engraçado. Mas claro, essa graça não serve nem pra fazer cosplay do Cirque Du Soleil.

O pessimismo e a insegurança não podem deixar nublado um dia de sol. O desapego pela glória não tem poderes para transformar um sábado a noite numa segunda-feira de Sessão da Tarde.
Quando vozes roucas e preguiçosas lhes pedem audácia, comprometimento e genialidade é porque as mesmas não conseguem mais produzir nada além do lugar comum. Pedem pra pensar fora da caixa mas estão pregados dentro dela, olhando a vida por frestas de frustração.

É mais cômodo induzir um ataque do que colocar uma arma nas mãos e aprender a atirar. É mais seguro observar o crescimento dos soldados e roubar suas técnicas a troco de medalhas inúteis.

Medalhas de verdade são cicatrizes.

Imagem: Clément Samson

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terça-feira, outubro 04, 2011 29 Comments A+ a-



Nunca fui aquele cara que pagava pau pra todo e qualquer palestrante de paletó e caneta laser na mão. Prefiro aplaudir quem não segue protocolo. Escolho o talento silencioso, a virtude das entrelinhas. Quem me vende postura de genial não tira um centavo da minha admiração.

Não foram eles que criaram padrões e conceitos de porra nenhuma. Não fiquem com essa ideia obtusa de que precisamos merecer um lugar ao lado dos profissionais. Ninguém tem nada por merecimento. Só se tem por mérito, e olhe lá!
Eu pensava que quanto mais o tempo passasse, mais as pessoas se sentiriam seguras. Mas não. Elas compram passagens para o inferno e colocam a solidariedade na primeira classe desse voo. Idiota sou eu que espero gentileza de quem acha que neurônios são bolas de gude.

Não me agrada cozinhar para o ódio. Alimentá-lo diariamente com um silêncio temperado, mastigando os dias que passam para engolir sem fome. Não é esse remorso que faz o ar circular por meus pulmões. A fadiga da minha paciência está unicamente concentrada nos seres humanos que acreditam serem mártires de causas inúteis.

As melhores pessoas que conheci na vida nunca me cumprimentaram ostentando suas conquistas. Eu defendo o amor próprio e o reconhecimento de contribuições artísticas, mas se vangloriar de badulaques publicitários é tão vergonhoso quanto o jornalismo do SBT. Ninguém é grande apenas por fazer sombra. Gigantes são os que acreditam que o seu olhar contempla a maior parte do horizonte.

Defenda a sua ideia. Compre a sua própria linha de pensamento. Nunca desvie o olhar da prepotência. Encare-a. Todo veneno é parte da cura. Não espere a justiça, apenas não seja culpado.
A glória não está em simplesmente superar um inimigo, está em ensinar às pessoas que o mesmo não representa nada.

O indiferente sabe ferir.

Imagem: Kike Ramos

AS DOZE ROSAS DE SETEMBRO

terça-feira, setembro 13, 2011 24 Comments A+ a-



Existem ocasiões na vida onde não podemos medir palavras, a menos que exista uma régua que meça quilômetros. Pode parecer exagerado, mas quando escolhemos declarar um sentimento maior que qualquer medida existente no planeta, é obrigatório decidir pelo colossal, afinal, o amor não permite eufemismos.

Antes de seguir qualquer teoria romântica infalível - com anexos cinematográficos incontestáveis – preferi observar a imponência do nosso próprio paraíso.
É nobre celebrar a maneira que os beijos combinam geometricamente. No mapa da felicidade, somos a latitude e a longitude do amor.

Não catalogamos as melhores sensações. Vivemos essa experiência como uma naturalidade cotidiana. A devoção mútua nos deixa confortáveis em nossa própria confusão. Conseguimos organizar as emoções para que pavimentem uma estrada divertida e instigante de se seguir por anos a fio.

As estações se confundem quando entram em contato com a sua temperatura. A eternidade dura o tempo que seus olhos estão abertos.

Sua mistura de atributos e conceitos angelicalmente plurais proporcionam uma degustação saudável de seu sabor garganta abaixo. Encha meu copo até a boca, o verdadeiro desperdício está na obsessão pela economia. O exagero é um ingrediente indispensável em qualquer receita que tenha a sua assinatura.

Estou à sua mesa, sirva-se.
Nenhum paladar pode apresentar rejeição aos pratos servidos com sua essência.

Você autografou o melhor dos meus sonhos. Eles ficaram tão valiosos com a sua caligrafia que se tornaram deliciosamente reais.

Você me fez acreditar que a semana tem apenas sextas, sábados e domingos.

Imagem: Bob Hall

ONDE ESTÁ A APOTEOSE?

quinta-feira, agosto 11, 2011 14 Comments A+ a-



Não é a insônia que inspira os escritores em potencial. Aqueles que buscam méritos por meio de algumas locuções adverbiais. Aqueles que falam difícil, conjugando com desconfiança, interpretando alguém que não se é por merecimento (e o que seria isso em nossos dias?), experimentando a falsa liberdade de ignorância.

Claro, é muito mais fácil se envolver com distâncias seguras, contando passos até o objetivo seguinte, cultivando a espera eloqüente da descoberta. O ponto de interesse adormece nos primeiros minutos em que educamos nosso olhar sobre outro ser humano. As histórias pouco importam. Verbalizar é abraçar o clichê. Suspirar? Uma mentira!

Quão heróica uma pequena demonstração de afeto pode se tornar. Hipocrisia em presentes. Em tempos. De tempos em tempos. A página que viramos é suspensa por cabos de aço. Quisera argumentar sobre a criação de uma história assim.

Faltam horas de maior comprometimento. Não leram a quantidade indicada de Millôr Fernandes, ficaram ali, na Clarice Lispector, nos colunistas que fazem dos seus leitores vitimas de seu cotidiano.
O que pode fazer alguém afortunado de pseudo cultura? O abastecimento da intelectualidade com diários? A síntese imposta pela quantidade de (des)informação?

Arquitetamos dimensões virtuais sob nomenclaturas reais sem estímulo corporal aparente. Donos de uma verdade que não paga aluguel. Falsos somos. Tolos. Oriundos de uma base inexistente. Deslumbrados com sentimentos alicerçados em ficção científica. Desafinados assim, na sinfonia de uma orquestra sem maestro.
‘O mundo tira de ouvido’ – eles dizem. ‘A felicidade é orgânica’ – ouço, as vezes.

Massacramos o caos que vivemos com mais caos. Subestimamos o equilíbrio.
Equilíbrio esse que é como a sorte: Uma balança imperfeita e mitológica. Precisa de tantas coincidências, tantos elementos funcionando numa harmonia absurda que, no final, não serve como medida.

Não se aplica nenhum método e isso é assustador nessa modernidade. Imprevisível. É horripilante! Temos essa fixação doentia de saber o que diabos irá acontecer.
O que os números dizem? Se essa informação não se transformar num dado passível de interpretação e posteriormente conteúdo de um relatório que baseará uma ação coordenada, torna-se inútil.

Nunca se trabalhou tanto com certezas. Nunca errar foi tão desumano e ridículo. Nunca a rotina foi tão excitante.

Você pode passar a vida dando tapas na cara das pessoas. Ninguém vai te oferecer a outra face. Ou elas se encolhem e procuram explicação para as agressões diárias, ou revidam sem entendem que tapas são injeções de realidade.

Ninguém melhora pela filantropia. Só se racionaliza com a frustração.
Esse é o problema do abraço. As pessoas confundem conforto com conformismo.

Imagem: Mica Ringo

A TOLERÂNCIA É POP

terça-feira, agosto 02, 2011 16 Comments A+ a-



O que existe aqui é uma interpretação. Uma cena. Um capítulo roteirizado com um mínimo de critério. Somos a geração do suficiente, do bastante. Idolatramos o razoável e colocamos a excelência como uma besta mitológica. Ostentamos nossas gargalhadas mais deliciosas para aqueles que buscam notoriedade pelo conhecimento.

Desviamos da auto-estrada do conceito. Somos pedestres da falsa segurança, ignoramos o volante da responsabilidade. Escrevemos com as letras da sociedade onde faltam vocábulos harmoniosos e sobram verbetes de calúnia.



Encher os olhos é encher o saco. Surpreender é assustar. Assassinar o comum é celebrar a própria culpa num julgamento formado apenas por promotores. A rotina é a medalha que todos recebem por serem os atletas do descomprometimento.



Confiar no equilíbrio dos nossos tempos é acreditar que existe esforço em dar passos numa escada rolante. O sol que você tapava com a peneira virou chuva e continua chegando sem proteção aos nossos olhos – e acredite, essas gotas não vão lavar a sua alma.



Ninguém pode reclamar um titulo de nobreza apenas por jogar flores no caixão do amor. Não se celebra a morte de quem está vivo.


Se você é agricultor e decide investir na cultura da decepção, não culpe o mundo se a safra for um sucesso. 



Imagem: Artem Khatakov

HIATO

quarta-feira, julho 06, 2011 21 Comments A+ a-



A madrugada não parece ter tanta força sobre o meu suposto sono quando dedico-me a conversar contigo através dessas teclas.
Escolhi músicas para inspirar o melhor de mim e nada parece necessário. Eu sou mais autêntico quando repouso os pensamentos nos seus ombros. Por mais promíscuo e superficial que o mundo se apresente em nossos dias, qualquer homem com alguma inteligência saberia valorizar as virtudes que você carrega em seu adorável DNA.

Pouco sei sobre mim para me livrar das situações que nossos diálogos criam, logo, entendo que queira calar suas citações com o mais inesperado dos beijos. A sua boca foi arquitetada em horas intermináveis - quisera viver a pretensão de ser a parte que a completa em verdade - pelo mais inspirado senso de criação de Deus. Ele estava eufórico com a quantidade de encanto que conseguiu despejar numa única pessoa. Não sei quem ficou mais feliz, Ele ou eu. Provavelmente nós dois. Eu agradeço pelo trabalho tão minucioso Dele em todas as suas extensões.

Anjo da minha personalidade, queria que minha voz se fizesse compreender. Que meus argumentos em discussões conhecidas tivessem uma forma dedutível. Que as decisões obtusas consideradas inocentes por meu próprio julgamento fossem atenuadas por sua eloquente sabedoria.
Não pertenço às sombras desse mundo. Em minha água, nenhuma substância que contenha adultério ou ausência de caráter consegue se dissolver.
Escolhi o seu lado do tabuleiro para colocar as minhas peças. Você as deixou com um ar mais gracioso, mais luxuoso, igual as roupas que usamos no inverno. A sua respiração trouxe flashs à minha vida. Nenhuma jogada do inimigo pode ameaçar a estratégia que escrevemos em todo abraço que compartilhamos. Somos híbridos em todas as denominações de relacionamentos. Podemos vagar sobre os estereótipos emocionais sem pagar um centavo de pedágio. Para quem não possui um envolvimento em nosso grau de sinergia, qualquer tributo imputado pelo coração parecerá caro demais.

Sugiro a felicidade sem ignorar os contratempos de quem absorve um amor como o nosso. Que nosso destino seja tão perfumado quanto seus cabelos vertiginosos. Não são noites sem o calor um do outro que mudarão a atmosfera de quem compartilha uma intensidade amorosa feito a nossa.
A confiança nunca faltará em nossas festas. A lealdade esteve sempre em nossa área Vip. Tenho um comprometimento com a sua essência inesgotável de atenção. Pontuar sobre sua beleza seria preparar-se para escrever por longos anos. Não dá pra ser breve quando falamos do seu nome.

Suspeito que o exército das incertezas procure afugentar as tropas de minha devoção, mas nenhuma estratégia de guerra é capaz de roubar
o território que sua voz conquistou por direito. As noites se confundirão com os dias enquanto estivermos em pé.

Antes que meus olhos se fechem e acordem em forma de bom dia pra você, guarde minhas impressões.

Tatue. A minha tinta não apaga.
O meu amor também não.

Imagem: Glenn Les

SOLUÇÃO HETEROGÊNEA

sexta-feira, junho 10, 2011 19 Comments A+ a-



Quando o público externo acena por alguns momentos de ar mais leve, de clima ameno com gosto de férias, de som ambiente regados a solos pouco virtuosos mas rigorosamente contagiantes, é sábio respeitar e procurar os artifícios capazes de promover essa massagem relaxante na atmosfera pesada que destrói qualquer balança emocional fabricada em nossa tão imprevisível época.

Vamos elevar a tão famigerada 'vista grossa' à sétima potência e basear nossos cálculos em equações que se resolvam sozinhas. De problemas, não precisamos nem dos matemáticos.

A audiência não precisa ser informada com tanta frequência sobre os entusiastas que colecionam Oscars na categoria Frustração, apontando armas descarregadas aos desesperados por falsa sabedoria, com bolhas nas mãos e sangue nos olhos.
Cansamos desses roteiros que tem mais buracos que uma rodovia não privatizada.

Por que não respeitar o espaço auricular de quem ainda guarda admiração pelo bom senso? Não se combate o comum fazendo uso de megafones ofegantes que apenas promovem a incapacidade dos seres humanos. Quer dizer que para ingressar nessa 'sociedade organizada', é preciso preencher um cadastro do tamanho de uma viagem de pogoball de São Paulo até o Maranhão?

Se fosse possível incorporar os poderes de Lion e fazer o uso com responsabilidade da 'Visão além do alcance', todas as surpresas seriam evitadas garantindo ar puro para quem é historicamente fraco de coração.

Quem afia flechas sem ter a concessão de um arco não consegue entender a língua do futuro. Quem balbucia experiência e simula ter os bolsos transbordados de técnicas inquestionáveis na produção de qualquer elemento criativo deve procurar com urgência uma liquidação de camisas de força.

A aurora da vida não espera as migalhas do tempo. O talento criado na placenta não oferece dores ao parto mas morre quando a criatividade dá a luz.

Nunca encontrei uma mesa vaga nesse coquetel de superficialidade que andam servindo com 50% de desconto. Alguns clichês causam mais enjoo que uma volta ao mundo de caiaque.

Se for pra chegar ao céu de monomotor, eu prefiro dar passos eternos e conquistar o meu reino com os pés no chão. Olhar o mundo de cima sem saber como se manter ali é tão patético quanto praticar suicídio atirando no espelho.

Imagem: Catalin Grigoriu

OS ESTRANHOS

quinta-feira, maio 26, 2011 17 Comments A+ a-



De onde brota a nascente do interesse que desboca no oceano de ansiedade?
Onde são feitos os planos sem qualquer alicerce não-abstrato?
Quem detém o mistério indescritível que impulsiona todos os mecanismos de cativação existentes em nosso arquivo de emoções?

Os estranhos.

Enquanto não nos aprofundamos em qualquer superfície de personalidade, toda novidade parece excitante em graus dignos do orgasmo de um porco.
Devaneios são criados, um mundo paralelo é desenvolvido pois a curiosidade sempre foi uma forma de dar prazer às ambições de nossas expectativas.

Quando não somos castigados pelo pesadelo da intimidade, fazemos suposições angelicais sobre qualquer feição do desconhecido. Entramos milagrosamente em contato com o nosso lado mais fantástico. Oferecemos, como se fossemos presidentes de todas as ONG's do planeta, o melhor de nós.

Apreciamos detalhes minuciosamente. Procuramos nos escombros de relacionamentos interminados, aquele abajur com luz infinita que pode decorar a sala de estar dessa tão surpreendente nova pessoa.

Cometemos crimes inafiançáveis em nome de uma justiça casual. Antecipamos beijos, ensinamos às nossas línguas todos os movimentos que o Carlinhos de Jesus faria com os pés. Imaginamos perfumes que nos desejariam bom dia num daqueles domingos de chuva, sem energia elétrica.

Se todas as relações conseguissem absorver a euforia emocional que depositamos em todo olhar que, por acaso, pousa sobre os olhos de completos desconhecidos, as igrejas seriam os maiores empreendimentos da construção civil. Afinal, os casamentos aconteceriam diariamente e durariam por todo o sempre.

Imagem: Beatrice Lai

1% DO AUTOR

quarta-feira, maio 11, 2011 17 Comments A+ a-



Em desacordo com minha atmosfera natural de produzir paz em larga escala, chego outra vez à festa particular que a vida me presenteia desde 1983.
O meu discurso perdeu um pouco do cuidado com elementos estéticos. Ficou menos fotogênico e talvez nenhuma pose que minhas palavras ensaiem possa render um book de ideias impecáveis.

Não fui concebido com estrutura suficiente para ser um carrasco e constantemente faço uma distribuição de sorrisos gratuitos apenas para atenuar quaisquer insatisfações que eventualmente as pessoas sustentem.

De fato, tenho predileção por anteceder acontecimentos. Saber onde piso é uma necessidade quase que fisiológica.

Injeto minha musicalidade em veias que são ariscas ao próprio sangue só para fazer as sílabas se tornarem cifras. Quando passos viram danças, nenhum destino fica inatingível.

A superficialidade desse planeta mascara todo o meu lado mais austero. Os mecanismos de ativação da minha ira exigem um conhecimento avançado para fazê-la funcionar. Não que as emoções sejam mitos de minha personalidade, mas não é qualquer brisa que me fará procurar um abrigo de furacões.

Minha atenção é tão valiosa quanto a Casa da Moeda. Se olho diretamente nos olhos durante qualquer diálogo - com qualquer ser humano - não significa se tratar de uma tática de conquista barata ou talvez um identificador de mentiras. É um profundo respeito.

Ninguém vive de graça e eu não meço investimentos para sair de minha existência com lucros substanciais. Presenteio inimigos com uma devoção maior que o próprio ego dos mesmos.

Soar como mistério é muito mais do que declarar guerras eternas contra o lugar-comum. É estimular a curiosidade e o interesse de quem decidir galgar as montanhas que cercam o ambiente de minha morada.

Imagem: Nucky Dana

CITAÇÕES DISPENSÁVEIS

sexta-feira, abril 15, 2011 23 Comments A+ a-



O rancor é aquele artifício que nasceu idiota e teve algumas aulas de piano que o pseudo-credenciaram a ser maior do que realmente é.
Quisera eu não fazer força pra enxergar essas nuances emocionais próprias de quem não leva a sua dignidade na academia e se arrasta vergonhosamente pelos fundos de quintal do mundo.
A natureza das atitudes é falha e indiagnosticável apenas para os sujeitos que detém um profundo desmerecimento. Hollywood não daria nem um papel na figuração para esse tipo de interpretação defensiva e alienada.
Para haver uma conspiração de fato é preciso que exista um estímulo vertiginoso, ou seja, muito mais do que um amontoado de ego descabido e capenga – quase como uma porta sem batentes.
Será uma maldição para todos os indivíduos que usam o oxigênio como combustível ter o desprazer de lidar por todo o sempre com pessoas que insistem em divulgar em cada salivada que tem 4 anos de idade? Deve ser.

Algumas pessoas não entenderam quando disse a frase: ‘Você é linda, da coroa até as cutículas’.
O que seria isso?
Falta de romantismo ou de conhecimento para compreender a forma de faceiragem atribuída no contexto?

E então abrimos todas as nossas redes sociais disponíveis e nos deparamos com um número desesperador de frases de Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu como se os mesmos fossem habitantes dos Elíseos, como se fossem sobreviventes de Atlântida, como se fossem representantes da associação de bairro da Via Láctea!

Prefiro acreditar num exemplo pouco inteligente de que Deus criou nossos pulsos para usarmos relógio. Por que tantos querem cortá-los ao som dessas palavras de marasmo interminável que se assemelham a uma reprise de todas as novelas da Thalía?
Não repudio aqui o amor que algumas citações destes indivíduos emana, mas não sejamos extremistas. Não deixem que o (nefasto) amor deles use seu cartão de crédito. Não permita que esse espetáculo – quase sempre - fantasioso use o seu nome para fazer compras parceladas em meses precipiciosos nas Casas Bahia.
Não acredite no sal que não constitui nem 3% das lágrimas desses sujeitos.

Não coloque a sua felicidade num avião que esses autores fretaram. Ele certamente não tem combustível suficiente ou teve sua última manutenção durante a Segunda Guerra Mundial.
Respire sem ajuda desses aparelhos melancólicos, a inspiração não tem sua estrutura em dias cinzas onde o sol foi deportado para outro sistema solar.

Não idolatre os formatos atuais para obtenção de comentários. Não tatue apenas ‘amor’ e ‘dor’ nos seus braços.

A caneta não precisa ser uma faca, ela pode ser um hashi. Use pra degustar a vida. Saboreie. Não engula essas baboseiras mastigadas por quem nunca teve fome.

E comer sem ter fome, além de engordar, é pecado.

Imagem: Valentino Grassi

O SILÊNCIO DA BONDADE

quarta-feira, abril 06, 2011 16 Comments A+ a-

Que os bons não se calem.
Eles sabem que meu silêncio representa algo muito mais sério do que uma noite toda tentando ser prolixo. Se eu estou calado, alguém está sangrando.
Causa assombro qualquer movimento que não siga os gêneros impostos historicamente por porcentagens consideráveis da sociedade. Ao passo da novidade previsível, alibis são descontruídos unicamente pela carência de argumentos.

Que os bons não se calem.
Eles sabem que você procura pelos carinhos simétricos de palavras arquitetadas com um planejamento prévio. Gasta suas economias com um sentimento que minha fábrica não produz. De operário só tenho o afinco em procurar letras incomuns dentro de um oceano de improviso.

Que os bons não se calem.
Eles sabem que você se cansou do mundo. Mas o mundo não liga pra isso.
O mundo quer que você entenda de bebidas e nunca de sentimentos.
O mundo quer a sua carteira, não os seus valores.
O mundo quer o seu pior pra vender como melhor.

Que os bons não se calem.
Eles entendem que esperar só trouxe mais velas pro seu bolo e menos presentes.
Eles entendem que a decepção é um prato que a gente nunca pede, mas o garçom traz as vezes.
E a gente precisa comer.





Leitores de '12 MESES'


*Vanê associou a sensibilidade do autor à nomenclatura dos reis, à maneira que eram tratados os membros da realeza. O autor que não é bobo a revencia veementemente.

*'N' teceu um novelo extremamente encantador aos olhos desde que vos escreve. Elogios são semore bem vindos mas o que esta criatura sublime descreveu foi de uma candura irrepreensível. Que honra.

*Ju Fuzetto provavelmente nasceu com açúcar nas mãos. Passeou pelas estações, classificou todas as palavras juntas e por fim creditou-me a magia. Simplesmente magnífica.

*Franck coloca um pouco de violência na maneira com que o texto do autor se expressa com as pessoas. Confesso que adorei essa visão. Quanto ao calendário, as folhas estão aí pra todos que quiserem rasgar, viver, 'desfolhar'.

*Daniela Filipini disse que as letras do autor são como glicose. Que possa existir uma overdose saudável disso.

*Larissa relatou sobre seus ouvidos privilegiados quanto às palavras do autor. Colocou uma beleza que faltava no texto, além de declarar surpresa quanto a atualização. Se os textos estão claros e otimistas, ela certamente tem participação nos lucros.

*Nina usa uma modéstia descomunal no comentário que julguei o mais sincero que recebi. Todas as palavras são válidas e acredite, você as escolheu muito bem.

*Ariela
revelou que inflou-se de felicidade inexplicável e deixou o autor com uma gratidão absurda quando citou a sintonia que lhe acometeu durante sua honrada leitura.

*Patrícia afirmou que todas as sentenças do post conseguiram tocar as duas nuances mais complexas de se equilbrar: coração e imaginação. Apenas a sua leitura garantiu tamanho esclarecimento. Lisonjeado ao cubo.

*Winny Trindade transcede as linhas e denomina ter ficado com os 5 sentidos em pleno funcionamento, Os detalhes são a fixação do autor e toda vez que alguém percebe, sei que vale a pena qualquer coisa.

*Olhar aposta na distinção deste que vos escreve e eu aposto na indulgência da sua leitura.

*Gabriela Freitas
sentiu-se confortável nas cadeiras do Teatro e afirmou que a intensidade das palavras a fez ficar até o final. E que volte sempre para novas exibições, seu lugar estará reservado.

*Suélen Breiser demonstra uma personalidade encantadora e questiona se o autor já publicou algum livro. A resposta: Não. Este que vos escreve apenas oferece letras ao vento e o espaço do BLOG consegue colocá-las numa velocidade compreensível. Grato por sua visita e ansioso por novos capítulos.

*Andressa Tavares
abriu sua bolsa e despejou alguns apetrechos cativantes em forma de palavras. O sorriso ficou.

*Letícia Silva
colocou o Teatro como uma vitamina necessária aos hábitos atuais. Um capítulo que estaria ausente nos livros de nossa geração. Incrível. Nada que o autor possa escrever fará juz.

*Thais Alves faz tudo parecer realmente encantador ao dizer que não seria possível sentir outra coisa além de encanto.

*Ariana
usa seus superpoderes para declarar sua identificação com o Teatro. Pessoas como ela podem salvar o mundo com invejável espontaneidade.

*Carolyne Mota colocou uma essência fabulosa na cobertura do texto. Deixou mais saboroso, abriu uma franquia, elevou os 12 meses há uma era. Esse envolvimento só se propagada em quem escreve e lê com o mesmo apetite. Autor honrado.

*Cáh faz de uma figura de linguagem um agradecimento único e de enorme bom gosto.

*Déborah Arruda aprova o cardápio do Teatro e a temperatura do mesmo. O autor vibra com as constatações de tão divina leitora.

*Flávia Diniz estava sumida mas nunca seria esquecida. É uma das leitoras clássicas do Teatro.

*Bruna Lima Rodrigues Silva julga perfeito o calor do calendário. O autor julga fundamental a sua visita e sua opinião.

*Bruna F. T. sugere uma utopia. Ela passeia com extrema propriedade sobre o tema do post e argumenta de uma maneira tão sincera que nenhuma letrinha fica esquecida para quem lê. Nada que o autor disser poderá eliminar a opinião de vocês.
Entendi plenamente o contexto que sugeriu aqui e soou extremamente cativante para este que vos escreve.

*Ana Carolina (Grafite)
é sempre concisa e arrebatadora em suas palavras. Que essa sensibilidade seja intermitente.

*Amanda Arrais
usou sua perspicácia e sabedoria para compensar sua ausência no Teatro. Suas citações nunca são previsíveis e todas as vezes que oferece sua opinião, o mundo pára.

*Camila
gostou da apresentação em sua primeira visita e prometeu voltar. Pois volte mesmo!

12 MESES

segunda-feira, março 21, 2011 27 Comments A+ a-

Nas pupilas castanhas ela guarda a euforia de janeiro
Todos os fios de cabelo beijados pelo sol
Sua volúpia é capaz de criar um dia 30 de fevereiro
Seu aroma deixa qualquer transpiração aerosol

Ela vive em cada gota das águas de março
Sua voz está na relíquia dos discos de vinil
E quando desafia meus olhares eu nem disfarço
As vezes penso que é 1º de abril

Sua risada dá cores ao outono de maio
Todos os encantos do mundo cabem em seu punho
Nenhuma arte final supera o seu ensaio
Mais fogos de artifício que todas as festas de junho

O mapa do paraíso tem o formato do seu rosto
Seus braços afastam o inverno de julho
Seu açúcar não engorda e eu adoço agosto
Sou um reservatório que ela enche de orgulho

Outra perfeição igual, com tantos detalhes, eu não lembro
Nem se for o melhor investigador eu descubro
Ela é a primavera que começa em setembro
A criança deslumbrada de 12 de outubro

Em suas rosas brancas eu respiro o perfume de novembro
Na passarela da vida, ela desfila para meu deleite diário
Ela é muito mais quente que o verão de dezembro
É o calor que aquece todo o calendário



Leitores de ‘Uma Pequena Conclusão’


Geisla Moraes entorna um cálice de elogios bem argumentados personificando o pobre escritor aqui como a própria alma. Resta apenas honrar tais palavras dedicadas com atualizações menos esporádicas e quem sabe, pretensiosamente indispensáveis.

Andrea disse que o texto foi perfeito. Quem dera encontrar esse equilíbro numa atualização, acredito que o segredo seja buscar uma identificação que, dessa vez, parece ter funcionado.

Anna Soares
prometeu não ficar mais em abstinência quanto ao blog e ressaltou que o piano de quem não sabe tocar pesa muito. E é verdade.

Franck ofereceu o seu reino para as idealizações do post e que bom seria se realmente fosse possível um pouco de toda aquela ‘utopia’.

Winny Trindade declarou seu amor pelas metáforas e se ofereceu para tocar o piano da vida de todos nós. Acredito que as coisas funcionam melhor dessa maneira.
Gosto de metáforas, e você as usou de maneira magnífica.

Talysinestesia
também estava com saudades do Teatro e concordou que são poucas as pessoas transpiram sonhos vivendo um pesadelo.

Bruna F.T.
acredita que o humilde blogueiro consegue descrever uma parte dos seus pensamentos. Isso sim é uma honra.

Daninha faz um ótimo parenteses em relação aos verdadeiros vencedores. Ela acredita que esses seres são os que conseguem ostentar um sonho em meio a muitas sificuldades.

Ariana, além de elogiar a maneira que o escritor discorreu sobre o tema, acredita que só se alivia o peso do piano aprendendo a tocar todos os dias. Isso procede.
Olhar (Bia) disse que escrevi tudo. Bom, sempre se pode acrescentar ou eliminar algo, mas tentei ser o mais ‘pleno’ possível.

Renata Z.M. fez uma observação interessante. Ela acredita que só nos dispomos a aprender a tocar o piano depois de passarmos um tempo carregando e exigindo resistência de nossas pernas.

Ana Flávia Souza
sentou-se pela primeira vez no auditório do Teatro e garantiu que será Vip nos próximos espetáculos. Vou cobrar!

Luiza (By Heart)
faz reverências graciosas ao autor, do seu jeito único de ser, e ainda afirma que só carrega um piano que não se esforça e se nutre de inveja. Verdade isso, não?

dear sarah expressa suas saudades quanto ao Teatro e ressalta a importância de se ter cautela quanto às mudanças do mundo e a maneira interessante que o mesmo se apresenta. Estava sumida hein?

UMA PEQUENA CONCLUSÃO

quarta-feira, março 16, 2011 16 Comments A+ a-

Ao catalogar olhares e expressões pelo mundo, cheguei até algumas de suas intrínsecas reações. Infelizmente, o meu convencimento implora por ações criativas e derradeiramente incomuns, logo, qualquer semelhança com clichês cotidianos fazem a minha pessoa bater as asas que não tem.

Guardo uma admiração maiúscula por todos que abominam fórmulas prontas e finais felizes exageradamente manipulados. Aos que lutam contra o colesterol das lágrimas salgadas tão estereotipadas por roteiros derrotistas.

Por que não ignoramos a altivez e a banalidade que cresce em pencas existenciais cultivadas com adubo humano de qualidade obtusa?

Um reino a todos aqueles que inventam moda sem precisar de linha e agulha.
Aos que abraçam um continente para salvar uma ilha.
Aos que mentem deliberadamente para assassinar uma verdade nociva.
Aos que conspiram contra a ignorância cômoda.
Aos que transpiram sonhos vivendo um pesadelo.
Aos que se precipitam. Esperar é um genocídio contra si mesmo.
Aos que entram em órbita mesmo com medo de altura.
Aos que surpreendem com artifícios comuns.
Aos que falam todas as línguas usando apenas o advento da visão.
Aos que arrancam suspiros só com a criatividade e observação.
Aos que caminham em corações estranhos para experimentar novos batimentos.
Aos que atropelam conceitos e guardam a multa como troféu.
Aos que tem mais do que o ego como músculo.

O mundo dá um piano pra todos. Os que não sabem tocar, tem que carregar.

ÁGUA EM VINHO

sexta-feira, março 11, 2011 17 Comments A+ a-

A minha função é transformar as suas reticências em exclamacões.

É transformar as suas economias em cifrões.
É transformar as suas palavras em canções.
As suas misturas em poções.
Os seus desperdícios em doações.
As suas personalidades em civilizações.
As suas manias em sanções.
As suas viagens em excursões.
Os seus conquistadores em charlatões.
Os seus heróis em vilões.

A minha função é transformar os seus filmes em superproduções.



(A rima é pobre mas a intenção é nobre.
E meu seguro cobre)

A CELA DA LIBERDADE

segunda-feira, fevereiro 28, 2011 14 Comments A+ a-

Ando devagar não porque já tive pressa, mas por ter prazer em contar os passos que dou.
Apenas quem dorme a noite toda sabe agradecer pelo dia.
O sono é criativo, logo, estar acordado é uma perda de tempo intelectual.

Pontos finais não me inspiram, reticências me convencem e pontos de interrogação ganham o meu dia.
Tudo é uma conspiração pra quem é alvo. Tudo é uma benção pra quem é santo. Tudo é uma armadilha pra quem é falso. Tudo é uma festa pra quem é livre.
E qual é a busca mais sensata e desesperada que existe em nossos dias repetidos?
A liberdade.
Em todos os gêneros, números e graus possíveis.
A rotina nos rouba esse tipo de ar. Nossos pulmões precisam de todos para conhecer a longevidade plena.

Respiramos o ar do trabalho, da família, dos amigos.
Os privilegiados respiram ainda o ar do amor, da esperança e do altruísmo.
Mas o ar da liberdade é rarefeito. Cristalino. De uma pureza indescritível.
É uma obsessão dos fortes. Os fracos não sobrevivem a menor brisa desse elemento.
Não basta encher uma mochila de sentimentos aleatórios e experiências curtas para entrar nesse trem da consciência. Se nada em nossa existência é o bastante, nesse caso, essa afirmação é ainda mais potencializada.

O que a liberdade plena exige? Quem tem um currículo emocional tão vasto e bem escrito para essa vaga?
Até onde a dependência de outros estímulos humanos pode gerenciar as decisões das pessoas?
Como um enfermeiro ansioso, não consigo encontrar a veia da vida para aplicar as doses necessárias de sensatez. O hospital está lotado e não entendo nenhuma palavra do que ela quer dizer.
Livres entenderiam? Sim.

Aos livres, o sorriso não é uma resposta a outro sorriso. É uma naturalidade.
Aos livres, não existe a necessidade de provas, de documentos. É uma naturalidade.
Aos livres, a glória não é uma consequência. É uma naturalidade.

A liberdade é natural.

O DISFARCE DO MUNDO

sexta-feira, fevereiro 04, 2011 23 Comments A+ a-

Já que estamos nesse parque de diversões de graça, por que não tentar se divertir?
Segure esses balões até que o ar se dissipe. Ria de si mesmo, não é o tipo de esforço inútil.
Todos os disfarces já foram usados e a repetição precisa ser criativa pra ganhar status de inédita.
Eu acredito, mas como poderei salvar quem tem prazer por lembranças?
Como posso ter a pretensão de abrir as portas de um paraíso emocional se as pessoas não tiram férias da angústia?

O passaporte para o cansaço da felicidade está nos bolsos de cada um. Mas eu não consigo ver uma iniciativa dos outros.
As pessoas tem uma filosofia derrotista de ver inspiração apenas no marasmo. A decepção pode ser uma minisérie mas nunca uma novela. O desencanto pode ser um conto mas nunca um romance.
Existe tempo certo para oferecer analgésico ao coração. Ele não vai bater mais rápido se você alimentar quem não cabe mais na sua geladeira.
Não que você tenha que sair no braço com a sua verdade todos os dias. Mas olhar nos olhos do que você verdadeiramente quer é muito bom de vez em quando.

O amor antes de qualquer coisa é um substantivo. Não faça virar verbo por qualquer idiota com cartão de crédito. Quem ama aos quatro ventos mente gratuitamente para o universo.

UM JOGO VICIOSO

segunda-feira, janeiro 24, 2011 13 Comments A+ a-

Informação generalizada sobre meus punhos. Se eu socar a face direita do planeta, 50% da humanidade vai aprender a usar o bom dia com responsabilidade. Metade dos humanos vai aprender a contar os passos, sem correr. Sem fantasiar o impossível, sem desperdiçar lágrimas em comédias românticas de sábados a noite.

Minha tecnologia emocional não consegue enxergar o pânico dessas vidas. A exagerada falta de segurança sobre as escolhas, o medo de acordar com o outro lado da cama vazio e um bilhete cheio erros gramaticais.
Não entendo a eterna obsessão das pessoas em nomear o sentimento que vivem. Um rótulo realmente tem todo esse poder de nortear atitudes?

As dúvidas nunca me cobriram, mesmo no mais severo dos invernos. A melhor parte de mim soube dar as costas aos diminutivos. O indiferente não tem poderes sobre a minha existência. Eu não preciso rimar para parecer uma poesia, não preciso inundar civilizações para soar como tempestade.

As vezes é bom aprender a sonhar na cama dos outros.
Onde minha devoção foi passar as férias não existia pacote promocional.
Não vejo problema com a individualidade. Acho bonito o meu jeito próprio de amar a maneira que a vida ri de mim. O jeito que ela se apresenta como uma anfitriã insensata de uma festa qualquer.
Acho delicioso os sabores que nunca provei. Vivo da recompensa pelos lares que salvei e agora eu construo bombas para mandá-los pelos ares.

A minha bondade não me dá créditos eternos. Não me deixa mais amigo do gerente da sua conta. Mas eu deposito todos os meus dividendos dedutíveis por lá mesmo.
Nada me surpreende mais do que alguns segundos. Eu sei que posso fazer do seu momento inesquecível e ganhar algumas das chaves da sua garagem. Pra te acordar de madrugada procurando um rosto que não reconheço.

O mundo que me foi apresentado não serve para arquitetar o mais honesto dos meus sorrisos. Qualquer incapaz enterraria a própria existência nessa cova de hipocrisia e falta de amor.
Mas eu nunca abandonaria a atualidade por um futuro seguro. Ainda que insistam em signos e previsões sobre o mês que nasci, os estereótipos nada funcionais não sabem o número das roupas que visto. Não podem cantar no tom que alcanço nem chover a quantidade de milímetros necessária para me fazer abandonar o meu lar e procurar por ajuda profissional.