O FEITIÇO DO TEMPO

domingo, outubro 17, 2010 34 Comments A+ a-

Não. Eu não estou atuando.
Eu não decorei nenhuma das falas que a vida me escreveu.
Eu tenho uma dificuldade abismal para planejar.
Logo, só me resta fazer do improviso a minha armadilha de encanto sobrenatural.

Essa introdução deveria anular a maioria dos meus poderes.
Afinal, na escola de cavalheiros que me matriculei eu só tive professores substitutos.
A média de desistência era assustadora.
Eu não consegui decorar o nome de nenhum dos meus colegas de classe.
Eles não duravam. O conteúdo era maçante para quem não tinha um punhado de ouro no coração.

Devo ter escrito sobre você nos corredores do colégio.
Nem sabia suas iniciais mas já começava a colocar isso em minha caligrafia.
Buscava atualizações. Tenho me entediado com extrema facilidade desde que descobri o valor do seu entretenimento.
Não fico mais exausto. Meu sangue não coagula diante dos seus cortes.
Desisti do remédio que sempre me ofereceram. Se você for uma doença eu certamente não financiarei a pesquisa para a cura.

Necessito da evolução do seu vírus.




[É, foram longos dias, mas aqui estou. Antes de qualquer coisa, eu devo dizer que tenho sorte. Enorme sorte. É tão difícil escolher um comentário como favorito. Sinto que qualquer decisão será uma injustiça aos tão preciosos e convincentes relatos das pessoas quem lêem esse espaço. Mas eu prometi escolher e assim o farei.

A Luiza, é a escolhida da semana. Eis seu comentário:

'E quando você pensava em catar as flores, ela já lhe vinha com todo o buquê. E ainda que pouco preparado, ela aceitou cada suspiro seu e cada tinlintar de seus sinos. Se você se preocupa com o amor, relaxe e deixe que ele toque a campainha o quanto antes.'