O ÚLTIMO

quinta-feira, julho 01, 2010 23 Comments A+ a-



Meus brinquedos.
Eu perdi todas as suas peças.
Meus cabelos não sabem mais como se moldar ao vento.
E as nuvens não são tão doces assim.

O que foi que aprendemos com o final de todos os capítulos?
Muitos pularam páginas, outros rasgaram...
Eu apenas dobrei para ler mais tarde.

Então essa é a sensação de ser a última pessoa do mundo?
A última carta, o último pedaço, a última dança.

Eu me petrifiquei nesse último verão e não pude ver você desfilar na minha órbita.
Eu acordei numa dessas manhãs chuvosas e não servia mais nas minhas roupas.
Eu dei dois passos e me pareceu ter percorrido uma maratona, um infinito exagerado.

Os nós que aprendi a dar não foram fortes para prender você.
Eu te escondi naquele envelope de ouro mas meu beijo não te selou.

Não posso mais roubar os sonhos das outras pessoas.
Não posso mais inventar meus próprios sonhos.

Eu me afoguei nessa garrafa ao mar e não tenho nada escrito em mim.
E mesmo que tivesse, não existe mais ninguém pra ler.

Nunca a grama verde e o orvalho matinal me pareceram tão assustadores.
Nunca o chão me pareceu tão alto.
Nunca o céu me pareceu tão próximo.

Essas lágrimas não têm mais sal... mas continuam a escorrer até a minha boca.

Imagem: Michael Homola

Redator publicitário, baterista, compositor e escritor - flertando perigosamente com o roteiro. Reflete sobre cultura, pedaços de mainstream e as maravilhas ocultas em pequenas situações do cotidiano.

23 comentários

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Larissa
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1 de julho de 2010 12:30 delete

É lindo, não sei o que dizer.
Isso daria uma ótima música :D

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@carolecarol
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1 de julho de 2010 12:55 delete

Lindo demais este poema ;)

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Luiza
AUTHOR
1 de julho de 2010 19:52 delete

ai que lindo
"Os nós que aprendi a dar não foram fortes para prender você.
Eu te escondi naquele envelope de ouro mas meu beijo não te selou."
nessa parte eu me senti, me encontrei. obrigada pela visita. beijos

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Luiza
AUTHOR
1 de julho de 2010 19:54 delete

"Eu me petrifiquei nesse último verão e não pude ver você desfilar na minha órbita."
Que pena! Sinto informar que perdeu um grande espetáculo. Desfilava leve feito pluma, rodava feito os anéis de Saturno e brilhava como a mais bela estrela. ETenta despetrificar, tenta voltar pra sua órbita que ainda dá tempo.
Lindo lindo lindo texto.

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1 de julho de 2010 23:05 delete

O ultimo sempre chega, vai da gente aproveita-lo.
Gostei do novo visual, viu!

Beijo

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2 de julho de 2010 02:15 delete

Lindo demais tudo que você escreveu.
Muito bom a maneira como usa as palavras, achei muito legal mesmo.
Gostei muito dessa parte final:

"Nunca a grama verde e o orvalho matinal me pareceram tão assustadores.
Nunca o chão me pareceu tão alto.
Nunca o céu me pareceu tão próximo.

Essas lágrimas não têm mais sal... mas continuam a escorrer até a minha boca."

Muito bom o seu blog, estou te seguindo! Beijos.

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2 de julho de 2010 02:46 delete

"Os nós que aprendi a dar não foram fortes para prender você.
Eu te escondi naquele envelope de ouro mas meu beijo não te selou."

Maravilhoso!
Vc é talentoso demais.
TEnho que ler seus textos duas vezes pra entender sua mensagem perfeito que fica entrelinhas.
E mesmo assim, nem sei se entendo ao certo rsrsr

Parabéns. Adorei mesmo!

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2 de julho de 2010 03:09 delete

E aquele ditado de que "os últimos serão os primeiros"? mas ser o último parece ser assustador...

Valeu pelas visitas no meu espaço e tô sempre por aqui tbm...

Abraços!

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2 de julho de 2010 12:19 delete

"Eu me afoguei nessa garrafa ao mar e não tenho nada escrito em mim.
E mesmo que tivesse, não existe mais ninguém pra ler."

*-*
NUSSA!
Me faltam as palavras ...

MANDA MUITO BEM !
bj

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Lu.S
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2 de julho de 2010 13:24 delete

Oii Brunoo, agora eu voltei por que não tinha lido o seu post, e não posso não ler.

Eu adorei: "Eu me petrifiquei nesse último verão e não pude ver você desfilar na minha órbita."
Essa parte se destacou para mim no texto.

Mas todo o contexo me disértou a atenção, nossa é ver a vida passar, ver que só faz aquelas coisas, sentir a vida, perceber que ela dói.
È simples, doloroso, maravilho e fantastivo. È viver apenas.

beijos e bom fds!

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Grafite
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2 de julho de 2010 14:03 delete

"Nunca o céu me pareceu tão próximo."

muito, muito bom!

beiijo,
*.*

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Betty Gaeta
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2 de julho de 2010 15:45 delete

Oi Bruno,
Amei o texto... Vc escreve com uma intensidade!
Estou seguindo vc. Ficarei muito feliz se vc tb me seguir.
Bjkas e um ótimo final de semana para vc.

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Sophia's Lu
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2 de julho de 2010 16:14 delete

Tenho gostado muito do seu espaço. Dos seus textos. Mas esse em particular, me atraiu inteiramente.
"Eu me petrifiquei nesse último verão e não pude ver você desfilar na minha órbita."

Lindo texto.
Beijo.

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Gabriela S. *
AUTHOR
2 de julho de 2010 18:29 delete

me encantei com as coisas que vc escreve sabia ?
estou a seguir seu blog e adoraria que vc passasse no meu http://vivendonocapricho.blogspot.com/
BEIJOS E SUCESSO !

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Camila Paier
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2 de julho de 2010 21:07 delete

Mesmo sendo guri, tu conseguiu descrever nessas frases intensas e intrigantes, tudo o que eu sinto agora. Tudo aquilo que anda aqui dentro, e eu não ouso contar. Toda essa mágoa que eu não nomeio, e muito menos reviro, com medo do que possa encontrar. Obrigada, mesmo!
Um beijo!

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Carolyne Mota
AUTHOR
2 de julho de 2010 22:46 delete

Daria mesmo uma ótima música.
Não tens ideia do quanto esses textos cativam. Por isso que gosto daqui.
=)

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3 de julho de 2010 00:55 delete

"Os nós que aprendi a dar não foram fortes para prender você.
Eu te escondi naquele envelope de ouro mas meu beijo não te selou."

É...as nuvens não são mesmo tão doces!

perfeito!

;*

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3 de julho de 2010 11:32 delete

oi Bruno :D ,
realmente, a complexidade do seu texto, foi muito completa mesmo ,linda, e até mesmo em um sentido profundo. Você escreve muito bem, vou passar a vir aqui mais vezes.

bejs :)

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Mari
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3 de julho de 2010 23:57 delete

' Eu me afoguei nessa garrafa ao mar e não tenho nada escrito em mim.
E mesmo que tivesse, não existe mais ninguém pra ler.


Sempre há... ;)

Beijo.

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Ariane s.s
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4 de julho de 2010 14:05 delete

Adorei seu blog !
To seguindo , dá uma passadinha lá no meu?
Beijos
www.ariane-lye.blogspot.com

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Camila
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5 de julho de 2010 22:21 delete

Até para retratar a tristeza você consegue usar belas palavras, belas combinações!
Senti um ar de solidão no texto... mas ainda sim me encantou, rs

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Anna Soares
AUTHOR
6 de julho de 2010 10:23 delete

E eu que achei que só eu dava dois passos com o esforço de uma maratona inteira.

Último ou não, você não tá sozinho nisso.

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12 de julho de 2010 14:34 delete

'Esses amores baratos expostos aos montes em lojas de conveniência.
Substituindo as balas num troco de pouco valor.'

Lindo

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Divague, opine, discuta. Coloque sua inspiração no 220v. Toda essa transpiração criativa é o combustível da minha respiração.